O Presidente da República defendeu que o Estado deve ser um aliado dos contabilistas, garantindo estabilidade na legislação fiscal, celeridade na justiça, menos burocracia e mais modernização de procedimentos. O chefe de Estado discursou no jantar de abertura do 8.º Congresso dos Contabilistas Certificados, em Lisboa. António José Seguro considerou que, para estes profissionais estarem mais libertos de tarefas repetitivas e para se poderem focar no crescimento dos seus clientes, «é necessário também ter no Estado um aliado, designadamente ao garantir estabilidade na legislação fiscal, permitindo que as mudanças operadas, ainda que incontornáveis, possam ser planeadas, preparadas e debatidas com tempo suficiente para serem executadas sem percalços».
«Um aliado na celeridade na tomada de decisões administrativas e judiciais e, finalmente, um aliado na redução da burocracia, simplificação e modernização de procedimentos», defendeu, afirmando que «só assim as ferramentas informáticas poderão ter um verdadeiro impacto na prestação» do novo modelo de contabilista.
«Nenhum sistema substitui o julgamento profissional»
Sobre o impacto da Inteligência Artificial, o Presidente partilhou uma visão muito vincada: «No meu entender, nenhum sistema, por mais sofisticado que seja, substitui o julgamento profissional, a independência de espírito e a integridade que sempre distinguiram o contabilista certificado. Nenhum algoritmo assume responsabilidade, a responsabilidade ética pertence e continuará a pertencer ao ser humano, a capacidade de gerir dilemas éticos com serenidade, de comunicar com empatia, de resistir a pressões indevidas, de manter a lucidez em contextos de grande complexidade, tudo isso é hoje tão relevante quanto o domínio técnico das normas e dos sistemas», apontou.
Um profissional «discreto, mas indispensável»
O mais alto dignitário do país empreendeu, seguidamente, uma viagem pela História e pelo caminho percorrido pela profissão, «sempre ligada aos grandes momentos da vida portuguesa.» Desde 1759, com a Aula do Comércio e a criação da profissão de guarda-livros necessário para reconstruir a economia nacional depois do terramoto, passando pelas reformas fiscais do século XX, até ao presente com a reforma da administração pública em curso que pretende simplificar a relação entre o Estado e as empresas. «Em todos estes momentos o contabilista certificado esteve presente, de forma discreta, mas indispensável, ao lado de quem decide».
O Presidente da República não concluiria a sua intervenção sem definir a Ordem «como uma das maiores associações públicas profissionais do país» e realçando esta profissão pela sua capacidade de reinvenção, «nunca abdicando do rigor e da informação fidedigna.» Os últimos 8 anos de Paula Franco como bastonária da OCC também mereceram uma nota do Chefe de Estado: «Tem sido uma liderança essencial pela forma como a sociedade encara a profissão, nomeadamente através de uma Ordem forte, exigente e atenta ao seu tempo.» No momento de «transformação acelerada que atravessamos», António José Seguro considerou que agora, mais do que nunca, esta profissão «deve ter o merecido reconhecimento público.» «Continuem a trabalhar com exigência e sentido de missão!», exortou.
Discurso integral do Presidente da República