Tributações autónomas ou a exigência de planeamento fiscal integrado
Edite Pereira e Patrícia Costa são rostos novos no projeto «Descomplicar». Estas duas contabilistas certificadas, no primeiro dos tópicos abordados, falaram sobre as tributações autónomas no OE para 2026. A apresentação passou em revista pontos como o conceito; o regime em vigor, taxas e incidências; o que muda e o que não muda com o OE/2026 e impacto nas empresas e respetivo planeamento fiscal.
Edite Pereira começou por lembrar que quando se fala de tributações autónomas «a tributação incide sobre a despesa e não sobre o rendimento», sendo devidas «mesmo em situação de prejuízo fiscal» e apresentando um carácter «sancionatório», penalizando «gastos considerados fiscalmente sensíveis.»
O que muda com o OE/2026? Em concreto, explicou Patrícia Costa, a norma Euro 6e-bis, em vigor desde 1 de janeiro de 2025, exige testes mais rigorosos e realistas pelo que as empresas devem verificar a norma de homologação e as emissões oficiais de cada modelo PHEV antes de adquirir ou renovar a frota.
Assim sendo, referiram as oradoras, as tributações autónomas apresentam um custo fiscal efetivo, afetam a tesouraria, não sendo possível a compensação com benefícios fiscais, sendo especialmente relevante para empresas com grandes frotas. Já no que toca ao impacto na gestão, há uma clara influência na aquisição e locação de viaturas, condicionando a estrutura de remuneração e exigindo um planeamento fiscal integrado.
Perante este quadro, há caminho a considerar: atribuir a viatura como rendimento em espécie ao colaborador. Contudo, é uma possibilidade que «deve ser analisada caso a caso.»
Redução do IRC ou a criação de um círculo virtuoso
«A redução progressiva do IRC no OE para 2026» foi o segundo tema analisado por Edite Pereira e Patrícia Costa.
À questão «Porquê reduzir o IRC?», Edite Pereira apresentou argumentos como o facto de Portugal necessitar de competitividade internacional; de ser uma medida que potencia o crescimento empresarial e a valorização do talento.
Se, em 1995, a taxa de IRC era de 36 por cento, «hoje, é de 20 por cento e será de 17 por cento em 2028. Podemos dizer que é uma medida simpática para as empresas. É um bom começo para colocar Portugal como país atrativo para investimento.»
Há, igualmente, um círculo virtuoso da descida do IRC que, no entender das oradoras, vale a pena ser lembrado: menos IRC leva a maior liquidez das empresas, o que pode originar maior investimento que, por sua vez, conduzirá a mais emprego e mais receita em termos de IRS, IVA e Segurança Social. «O Estado abdica no imediato de receita, mas ganha a médio e longo prazo», sustentaram as oradoras.
Apesar de existirem riscos, como a perda de receita fiscal ou a instabilidade política poder travar a descida contínua anunciada (17 por cento em 2028), não restam dúvidas para estas contabilistas certificadas: «Portugal será, em 2028, um país mais competitivo, com empresas mais fortes e salários mais altos.»